domingo, 15 de abril de 2018

VISITA A UM CANADÁ PORTUGUÊS 1 - Em fins de março, passei três dias no Québec, com um intenso programa cultural, a convite de dois jornalistas, que são meus amigos há quase 40 anos - a beirã Adelaide Vilela, que, em matéria de "media", toca todos os instrumentos, incluindo rádio e televisão, e o açoriano Norberto Aguiar, diretor do jornal Lusopresse. Adelaide apresentou os seus dois últimos livros (um dos quais tive o gosto de prefaciar), de uma forma original, num jantar com 200 convivas, no salão de uma das várias centenas de associações, que na América do Norte, são dedicadas ao Divino Espírito Santo, o mais português dos cultos religiosos, que se deve a Isabel de Aragão - a nossa Rainha Santa Isabel, paladina do fraternalismo cristão, de uma igreja espiritualista, voltada para os mais pobres, despojada de pompas e poder material, como atualmente a quer o Papa Francisco. (O culto do Espírito Santo, que Portugal levou a todo o universo da lusofonia, sobrevive, hoje, sobretudo, nos Açores, nas comunidades da sua emigração, e, também, em antigos povoados do Brasil, como Parati ou Alcântara, embora com lamentável ignorância da sua raíz portuguesa.). A grande festa de Adelaide, teve, entre múltiplos méritos, o de envolver muitos jovens, nascidos no Canadá, que entre música, felicitações e mensagens dos mais velhos, leram (e que bem!), algumas poesias e trechos da sua prosa. Um excelente meio de estimular a aprendizagem da língua, uma das causas maiores desta "mulher de armas", em luta constante pela expansão da nossa cultura. No dia seguinte, o jornal Lusopresse, organizou, pela 18º vez consecutiva, o seu "Dia da Mulher", com uma homenagem especial a Maria Barroso, que dez anos antes, na presença da Ministra da Imigração e outras figuras da política canadiana, numa sala cheia de portugueses, fora a principal protagonista de idêntica cerimónia, em que tive a sorte de a poder acompanhar. 2- Nas nossas comunidades, as comemorações de uma efeméride, ultrapassam, frequentemente o dia do calendário. Assim, por exemplo, o Dia de Portugal pode estender-se por uma semana de variados eventos, (festivais de música, paradas, jogos, exposições, conferências...), ao longo do mês de junho. O mesmo se diga do Dia Internacional da Mulher, que não se limita ao 8 de março. Se não coincidir com o fim de semana, é logo transferido para um sábado ou domingo. E qualquer sábado ou domingo do mês guardam o simbolismo da data! São dois exemplos, neste aspeto semelhantes, mas muito distintos, no que respeita à generalização e dimensão das realizações em que se traduzem. O dia nacional é celebrado pela Diáspora, universalmento, com um entusiasmo e uma paixão, que não têm paralelo dentro do país, onde, para além de atos oficiais, é visto como um simples feriado para ir ao "shopping", ou à praia, se o tempo estiver de feição. O Dia da mulher, em comunidades do estrangeiro, (regra geral, ainda menos sensíveis às questões de género do que as comunidades do território), é quase completamente ignorado. A mais antiga e notável exceção, de que tenho conhecimento, - em assunto que dificilmente escaparia ao meu conhecimento, em perto de quatro décadas de convívio com emigrantes - é a levada a cabo pelo "Lusopresse". Em 2018, ainda se contam pelos dedos das mãos, e são, maioritariamente, promovidas por associações femininas, as iniciativas que vão surgindo... Nas 18 jornadas que o Lusopresse dedicou à Mulher, o enfoque tem sido colocado em diversos domínios ou temáticas. Este último. em que fui oradora, num painel que partilhei com portuguesas muito jovens, questionava o poder das mulheres. Como definir o "poder" ? Pergunta com mil e uma respostas possíveis. Eu falei, sobretudo da resposta que Maria Barroso deu com o seu percurso na vida - o "poder" ao serviço da dignidade das pessoas, de uma cultura de paz e fraternidade, o poder que se pode exercer no palco do teatro, na escrita, numa sala de aulas, no terreno da política, ou do puro voluntariado.... 3 - Há muitos anos que não faço excursões de férias (para férias há o mar de Espinho!), e prefiro investir em viagens ao estrangeiro, já não para ver paisagens novas, mas para reencontrar velhas amizades. E para manifestar apreço e reconhecimento a pessoas e instituições que oferecem ao País existência nas "sete partidas do mundo". Entre elas, jornais e jornalistas têm papel insubstituível,e, desta vez, foram eles a motivação para cruzar o oceano, em muitas horas de voo!. A imprensa da emigração é, em tudo, semelhantes à imprensa regional, aos jornais de cada terra, na medida em que começam por ser parte da construção da sua identidade, e acabam por a retratar, guardando memórias, fazendo a história. Isto é tanto mais verdade, quanto melhor for a sua qualidade (que não falta quer ao "Lusopresse" do lado de lá do Atlântico, quer à "Defesa de Espinho", do lado de cá). Todavia, mesmo os congéneres mais modestos, os que enchem páginas com meras transcrições das agências noticiosas e fotos das festas comunitárias, são mais importantes do que nos pode parecer, pois até o que é pura cópia, pode vir a torna-se informação útil sobre interesses, prioridades, mentalidades, e tudo o mais é registo inédito para a posteridade... Assim foi, e assim julgo que continuará a ser, na era na internet. Uma comunidade da Diáspora, como uma terra portuguesa, sem a sua imprensa (de preferência em papel....), não tem passado nem futuro, só o presente, a morrer em cada dia. que finda

correspondência

segunda-feira, 2 de abril de 2018

O amor que corre em minhas veias é imenso quando falo de Portugal e da Comunidades que tem esta irmandade na alma. Na minha alma tem Portugal que foi plantado pelo meu pai David Gomes Correia, um comunicador que sempre honrou seu país e o país que o acolheu e onde teve sua família. Desde muito pequena, escutava as histórias ue meu pai contava com muita atenção e interesse, porque mesmo muito criança sabia que era a minha história. Escutava os fados, que até hoje escuto na voz dos mais tradicionais até os estilos mais modernos. Amo tudo do meu Portugal, um Portugal que conheço somente pelas histórias, pelo coração, pela alma! mesmo Portugal que ajudei e continuo ajudando a divulgar, pois o amor foge da compreensão humana, é de Deus... Hoje volto aqui no blog para ajudar a divulgar um evento com uma importância indescritível e mais uma das ações que a AMM que tanto me honra participar, está desenvolvendo com suas parcerias. Desejo muito sucesso, muita iluminação às nossas incansáveis Manuela Aguiar e Arcelina Santiago em conjunto com tantas irmãs da AMM. Um grande beijo nos corações, Rudáia Correia COLÓQUIO PORTUGAL / BRASIL – A DESCOBERTA CONTINUA, A PARTIR DE MONÇÃO 20 abril 2018 EPRAMI Monção
Sobre o colóquio: O Colóquio " Portugal/Brasil - a Descoberta contínua, a partir de Monção " vem celebrar o momento histórico em que Pedro Álvares Cabral avista terra do Brasil, onde é hoje Porto Seguro, a 22 de abril de 1500. Foi essa a data que o Senado Brasileiro aprovou como "Dia da Comunidade Luso Brasileira" - iniciativa que viria a ser ratificada por Portugal. A efeméride é celebrada em todo o Brasil, com grande empenho dos Portugueses, mas passa quase despercebida em Portugal. É essa falta que, nos últimos anos, a Mulher Migrante-Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade (AMM) tem procurado colmatar promovendo esta celebração há já três anos, em cidades diferentes. Esta iniciativa dará oportunidade de debate em torno de questões de Emigração, Cidadania e Lusofonia, a nível nacional, com particular enfoque para o Minho e, em especial, para Monção. Assim a proposta apresentada pela AMM foi abraçada de imediato pela Câmara Municipal de Monção à qual se juntaram outras entidades. Esta iniciativa tem o alto patrocínio do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Investigadores/as, professores, estudantes, decisores políticos, interessados/as nesta temática, são desafiados a participar neste colóquio e torná-lo num momento de debate e reflexão em torno da história da emigração, da cidadania e da lusofonia que ganha agora novo incentivo através da decisão legislativa que visa reforçar o estudo da emigração, fazendo-se jus a esta parte importante da história do povo português. Dar-se-á especial ênfase às questões da Igualdade e relevo a mulheres e homens da diáspora lusa com cunho minhoto. Haverá dois momentos com a participação de palestrantes de destaque nacional, do mundo académico e da comunidade. Comissão Científica: Graça Guedes, Professora Catedrática Aposentada da Universidade do Porto. José Viriato Capela, Professor Catedrático da Universidade do Minho e Presidente da Casa Museu de Monção da UMInho Alexandra Esteves, Professora Auxiliar da Universidade Católica, Pólo de Braga 1º painel: DIMENSÕES DO POLIEDRO DA EMIGRAÇÃO Rui Miguel Pires, Mestre em Relações Internacionais - Universidade Lusíada do Porto . A Emigração de Viana do Castelo para o Brasil (1929-1950) a partir dos livros de registo de passaporte As migrações são um dos fenómenos mais importantes das relações internacionais. Tendo sido Portugal o primeiro império ultramarino ocidental a constituir-se e o último desagregar-se, a emigração é uma constante multissecular da sua história e incontornável no estudo das relações Portugal-Brasil pelo seu impacto aos níveis político, económico e social. Nesta apresentação, iremos fazer uma análise e caraterização da emigração do distrito de Viana para o Brasil, através do levantamento, tratamento e análise dos dados recolhidos nos livros de registo de passaportes do Governo Civil de Viana do Castelo que integram o acervo documental do seu Arquivo Distrital. Recorrendo a métodos estatísticos de interpretação dos dados obtidos pela análise dos registos de passaportes do Governo Civil de Viana do Castelo é esboçado um perfil do emigrante do distrito de Viana para o Brasil, dando conta do volume dos efetivos migratórios para esse país e sua importância relativa no contexto nacional; da sua distribuição por destino; por naturalidade; por género; por estado civil; por grupos etários; pela classificação socioprofissional e pelos agrupamentos familiares ou profissionais. Não nos limitando a uma mera descrição estatística sobre os fluxos migratórios, iremos analisar os factores explicativos deste fenómeno enquadrando-o nos seus condicionalismos endógenos e exógenos resultantes da evolução política e económica internacional e nacional, que simultaneamente são factores de repulsa e atracção que potenciam e se reflectem na emigração portuguesa para o Brasil, num período particular da História das Relações Internacionais. Francisco Alves, Diretor do jornal local A Terra Minhota Monçanenses pelo Mundo Breve história do Jornal O papel do Jornal no movimento da diáspora Testemunhos da nova emigração Arcelina Santiago, Licenciada em Filologia Germânica pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Formação Pessoal e Social na Universidade de Aveiro e aí também Mestre em Ciências Sociais, Políticas e Jurídicas – com investigação em questões do género. Docente do ensino secundário e superior foi Diretora do Centro de Formação das Escolas de Espinho, consultora de Formação, Formadora com certificado passado pela Conselho Científico da Formação continua de Professores , Orientadora Pedagógica, Membro da direção de Escola, Deputada Municipal, defensora de causas e fundadora de diversas Associações e Movimentos Cívicos. Foi também Coordenadora de Projetos de âmbito Europeu, com artigos publicados e comunicações em seminários e colóquios. É atualmente membro da direção da Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade- Mulher Migrante e uma das organizadoras da publicação anual da Mulher Migrante. Alunos do Agrupamento de Escolas de Monção e da Universidade Sénior de Monção Ateliês da memória Sinopse A emigração esteve sempre presente na nossa história enquanto nação. Como refere Maria Beatriz Rocha-Trindade, investigadora do CEMRI, Universidade Aberta e associada da Mulher Migrante, “Só os povos com tradição marítima souberam formar impérios para além dos mares e oceanos tal como o povo Português (…) Graças ao empenhamento e esforço humano e material, mas também da inovação científica e tecnológica, foi possível a odisseia da circum-navegação e daí, o encontro histórico com as terras do Brasil. O Brasil constituiu, pelo menos desde a sua independência, o destino mais favorável possível para a fixação de emigrantes portugueses, pela sua dimensão, potencialidades e riquezas naturais. O fluxo migratório, de acordo com estudos sobre a diáspora para este país, começou em meados do séc. XVI e no séc. XVIII, constatou-se a saída de 8000 a 10000, sendo o movimento de saídas sempre crescente até 1914, altura em que começa a haver um decréscimo (G. Meneses Cortes, 1958). O Minho terá sido a região portuguesa de onde mais gente saiu para o Brasil, desde a colonização até à emigração massiva do século XIX, tendo esta última alterado profundamente a face social e económica da região. O concelho de Monção seguramente tem expressão deste fenómeno que agora queremos recuperar. Acreditamos mesmo que não haverá família alguma em que não exista nela um familiar que partiu, uma história para contar... E será sobre esse passado ainda recuperável que daremos ênfase neste projeto. Assim, propomos a recolha de testemunhos sobre os emigrantes do concelho de Monção que partiram para o Brasil nas primeiras décadas do Século XX (1900 - 1945). Através dela, poderemos conhecer melhor a motivação, causas da partida, as vivências, o sucesso ou insucesso, momentos marcantes ou simples de uma experiência de emigração, do lado de lá e/ou do lado de cá. Estas perspetivas que denominamos de poliédricas por se tratarem de pontos intermináveis reúnem aspetos fundamentais para a compreensão deste fenómeno com cunho monçanense. Deste modo, reconstituiremos a história, feita de estórias de pessoas simples porque de pessoas que marcaram pela sua ação, aspetos da vida social, cultural, política ou empresarial de forma notável, temos felizmente alguns relatos e estudos a merecer destaque. Todos os leitores, através do jornal, e toda a comunidade educativa foi convocada para este desafio. Coffee break ( mudar conforme andamento dos trabalhos ) Isabel Cristina Mateus, Doutorada pela Universidade do Minho, docente de Literatura Portuguesa do Instituto de Letras e Ciências Humanas e investigadora do Centro de Estudos Humanísticos (CEHUM). É autora do ensaio “Kodakização” e Despolarização do Real: Para uma Poética do Grotesco na Obra de Fialho de Almeida, Caminho 2008, Prémio de Ensaio Óscar Lopes (2007) / Prémio de Ensaio PEN Clube 2008 e autora de vários estudos sobre autores da literatura portuguesa moderna e contemporânea publicados em revistas nacionais e internacionais. É coordenadora responsável (juntamente com Cândido Oliveira Martins) pela edição da obra completa de Maria Ondina Braga e coordenadora do volume Maria Ondina Braga: (re)leituras de uma obra, editado em 2017 pelo Museu Nogueira da Silva/Universidade do Minho. É atualmente membro da Direção da Associação Portuguesa de Escritores e do Pen Clube Português. Maria Ondina Braga: do coração do Minho ao coração do mundo Maria Ondina Braga fez da viagem e da condição migrante a sua forma de vida, o seu modo singular de estar no mundo e da sua voz, uma voz única no panorama literário português. Nascida em Braga, a sua itinerância cruza vários continentes, tendo vivido em várias cidades europeias, africanas e asiáticas. Apesar de não ter vivido no Brasil, a presença deste país não deixa, todavia, de ser marcante para a escritora e de fazer parte da sua geografia pessoal e literária, nomeadamente através da memória, do imaginário e da representação de uma das tias, mulher de coragem e grande contadora de histórias que há-de ser uma permanente fonte de inspiração para Maria Ondina. Do mesmo modo que não deixa de estar presente na correspondência que a autora nos legou e nos dá testemunho da viagem que, em 1972, fez a este país e do modo como se confrontou com as suas gentes e paisagens. Maria Archer, uma portuguesa no Brasil Entrevista Imaginária a Maria Archer Alunos da EPRAMI - Beatriz Lopes e Pedro Cerqueira Revisitar Maria Archer é uma forma de homenagear uma mulher inspiradora, corajosa, vanguardista, defensora dos direitos das mulheres numa sociedade austera, orientada pelos princípios da ditadura salazarista. Uma mulher que deveria ser referência para todos os portugueses. Destacamos o papel notável que a Mulher Migrante-Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade teve, na altura do seu 20º aniversário, em homenagear Maria Archer, fazendo-a emergir do mar do esquecimento a que tantos anos esteve, injustamente remetida. Precisamos de lembrar mulheres corajosas, dá-las a conhecer, principalmente, aos mais jovens, para que possam consciencializar-se de quão árdua foi a luta pela liberdade e defesa dos direitos das mulheres e que essa caminhada ainda continua. Muito poder-se-á dizer sobre Maria Archer e sobre a sua trajetória de cidadania em Portugal, a partida forçada para o exílio, as suas viagens, o Brasil que a recebeu de braços abertos. Foi reconstituindo a sua vida enquanto mulher defensora de causas, usando como arma a escrita, que organizamos uma entrevista imaginária, dramatizada por dois jovens da EPRAMI. Através desta " Entrevista imaginária a Maria Archer" ficaremos a conhecer as múltiplas facetas desta mulher inspiradora. Este texto foi concebido com base nos estudos de investigações sobre Maria Archer, testemunhos de familiares e recortes de imprensa. Carlos de Lemos, nasceu bem perto de Monção, foi inicialmente topógrafo, depois professor universitário, diplomata, cidadão distinguido com as mais altas condecorações dos Estados Português, Timorense e Australiano. História de uma Vida O Dr. Carlos Lemos vem a Monção matar saudades dos tempos de juventude e conversar com os seus conterrâneos sobre o livro intitulado " História de uma vida". É a vida de um dos portugueses, de um dos minhotos mais viajados e mais cosmopolitas, da sua geração, cujo percurso, nos quatro cantos da terra, se cruzou com personalidades extraordinárias e fascinantes - vultos da cultura, da diplomacia, da política, alguns dos quais de renome universal. Através de entrevista coletiva em que todos são convidados a participar, poderemos acompanhá-lo numa longa viagem de memórias que atravessa épocas, regiões, continentes, desde remotos lugares da Serra da Peneda, onde, menino pobre, pareceria condenado a crescer e trabalhar num confinamento insuperável, até aos espaços imensos, onde o levou o gosto da aventura e uma insaciável vontade de conhecimento. Monção foi inspirador destes sonhos. O jovem Carlos Lemos vai do Minho a Timor, atravessa os mares, ajuda a desbravar matas virgens, nas margens de rios africanos. a mapear as costas das possessões portuguesas do Índico e do Pacífico, depois os desertos australianos. Na Oceania se converte ao destino tão português da emigração, com a sua inata facilidade de conviver e a arte de fazer bons amigos. Cabe-nos fazer perguntas a este admirável minhoto, que é um excelente conversador, para descobriremos episódios extraordinários e pitorescos do seu passado em Monção, ou em cidades longínquas como Lourenço Marques (agora Maputo), Durban, Dili, Canberra, ou Melboune, onde de topógrafo (a profissão que foi o seu passaporte para novas fronteiras) seconverteu em líder de uma comunidade portuguesa emergente e em grande defensor dos refugiados timorenses e, latamente, dos valores da lusofonia. Moderadora: Nassalete Miranda, Diretora do Jornal As Artes entre as Letras Almoço 13 h - 14 h 14h 2º painel: EMIGRAÇÃO E CIDADANIA Alexandra Esteves, Professora Auxiliar da Universidade Católica, Pólo de Braga Alexandra Esteves é doutorada em História Contemporânea pela Universidade do Minho, tendo obtido a classificação máxima e o título de doutoramento europeu. Atualmente, exerce funções docentes na Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais – Centro Regional de Braga da Universidade Católica Portuguesa e é investigadora integrada do Laboratório de Paisagens, Património e Território (Lab2PT), do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho. A sua atividade investigativa abrange as áreas da História Social e da História da Assistência, em particular as questões relacionadas com a saúde, a doença, a marginalidade, a violência e as prisões, bem como o turismo, o lazer e as sociabilidades. É autora , coautora e coordenadora de diversas obras (Crimes e Criminosos no Norte de Portugal. O Alto Minho Oitocentista; Pobreza e assistência no espaço ibérico (séculos XVI-XX); Marginalidade, pobreza e respostas sociais na Península Ibérica (séculos XVI-XX); Os “brasileiros” enquanto agentes de mudança: poder e assistência; Hábitos alimentares e práticas quotidianas nas instituições portuguesas. Da Idade Moderna ao período liberal; Da caridade à solidariedade: Políticas públicas e práticas particulares no mundo ibérico; A Morada indesejada: os presos da cadeia de Ponte de Lima (1732-1739); Sociabilidades na vida e na morte. (séculos XVI-XX) …), entre outros, e de capítulos de livros, bem como de dezenas de artigos científicos. Os resultados da sua investigação têm sido publicados em livros e em revistas da especialidade e apresentados em congressos nacionais e internacionais. Orienta teses de mestrado, na área do Património Cultural e Material, e de doutoramento, na área da História, da História da Enfermagem e dos Estudos da Religião. Participa em vários projetos científicos nacionais e internacionais: “História da Misericórdia do Porto”; “Religiosidad y reforma católica en el Noroeste de la Península Ibérica durante el AntiguoRégimen”, financiado pelo Ministerio de Economía e Competitividad (Espanha), “Local policies for Global Schools”, dedicado ao trabalho das Autoridades Locais e às Políticas Locais nas temáticas da Educação para o Desenvolvimento e da Cidadania Global. Os “brasileiros” no norte de Portugal no século XIX: marcas de uma presença e histórias de vida Sinopse A nossa intervenção incide, fundamentalmente, sobre a presença dos “brasileiros” na sociedade alto minhota e pretende dar a conhecer algumas das marcas mais significativas do seu legado, bem como reconstituir, na medida do possível, o seu percurso de vida, repartido, em muitos casos, pelos dois lados do Atlântico. Por força das circunstâncias, o Brasil tornou-se o destino das gentes do Alto Minho, sobretudo de homens, que procuravam escapar à miséria. Alguns dos que partiram foram bem-sucedidos e amealharam pecúlio bastante para poderem regressar e deixar no torrão natal, ou noutros lugares que os acolheram, as marcas da sua filantropia, ostentação e afirmação social. Bem diferente foi a história de muitos outros que não conseguiram vencer as contrariedades e foram condenados ao anonimato. Assim, além de nos ocuparmos dos “brasileiros” que deixaram memória, é também nosso propósito dedicarmos alguma atenção à chegada dos portugueses ao Brasil, relatar alguns episódios ocorridos nesta colónia até à sua independência e dar particular relevo à chegada dos primeiros emigrantes do Alto Minho a terras de Vera Cruz. Por conseguinte, a nossa intervenção assentará em três pontos-chave: breve história do território de chegada (Brasil); os emigrantes do distrito de Viana do Castelo (século XIX), que se instalaram no Brasil; “brasileiros” de sucesso (Miguel Dantas, Visconde de Sá, Visconde de Amoroso Lima…). José António Barreto Nunes Descendente de monçanenses, nasceu na cidade do Porto no dia 6 de Março de 1949. Viveu a infância em Monção. Fez a Escola Primária em Vila Nova de Cerveira e o Liceu no Sá de Miranda, em Braga.É licenciado em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Concluído o curso, iniciou de imediato a carreira de magistrado, única que exerceu, com uma breve interrupção, para cumprir o servir a Nação na Polícia Judiciária Militar. Foi Delegado do Procurador da República nas Comarcas de Monção, Vila Franca do Campo, Cabeceiras de Basto, Montalegre, Vila do Conde e Braga. Foi Procurador da República nos Círculos Judiciais de Vila Real e Barcelos entre 1983 e 1990. Foi Procurador-Geral Adjunto nas Secções Cíveis e do Contencioso do Supremo Tribunal de Justiça entre 1990 e 2002. Foi Procurador-Geral Adjunto Coordenador do Tribunal da Relação de Guimarães, que ajudou a instalar em meados de 2002. Foi vogal do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República entre 2003 e 2007. Foi nomeado Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça em 4 de Dezembro de 2009. Presentemente, é Juiz Conselheiro, com o estatuto de Jubilado. Desempenhou ainda os seguintes cargos: vogal do Conselho Superior do Ministério Público (1987-1990); vogal da Secção Portuguesa da Comissão Internacional para o Estado Civil – CIEC, que é um organismo integrado no Conselho da Europa (1998-2009); membro e presidente de diversos júris nas provas escritas e orais do Centro de Estudos Judiciários ao longo de muitos anos. Por deliberação de 11 de Maio de 2015, a Câmara Municipal de Monção atribuiu-lhe o título de CIDADÃO DE MÉRITO, a que corresponde medalha de prata, como reconhecimento do relevante serviço prestado à comunidade do concelho e do país, com acçãoexcepcional no campo da Justiça. Publicou inúmeros artigos jurídicos em revistas da especialidade. Colabora regularmente na imprensa regional e publicou textos em obras coletivas. Braga, 6 de Março de 2018 Monçanenses no Brasil Monçanenses no Brasil com especial enfoque para as mulheres ERNESTO PORTUGUÊS Notas breves do CV Natural do concelho de Monção e residente na cidade de Braga Licenciatura em História – Faculdade de Letras da Universidade do Porto Mestrado em História da Educação e da Pedagogia – Universidade do Minho Doutoramento em História da Educação – Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. “Cidadão de Mérito de Monção” e respetiva Medalha de Prata do Município (2012) Mestre Fundador da Real Confraria do Vinho Alvarinho, Monção (2009) Tem apresentado comunicações em colóquios e congressos Algumas das publicações: 2015 – Monsenhor Airosa – Pedagogo-Empresário. História do Colégio de Regeneração de Braga (1869-1931). (Tese de doutoramento) 2010 – Cadernos de Contas de um barbeiro. Memórias de Monção. (Câmara Municipal). 2008 – São Tiago de Pias. História e Cultura. Monção: Câmara Municipal de Monção/Fábrica da Igreja de Pias. (526 pp.) 2006 – Ao encontro do tempo. Monção. (Câmara Municipal) 2003 – Santuário da Senhora dos Milagres. (Santuário da Senhora dos Milagres). 2002 – São Salvador de Cambeses. Memória e identidade de um povo. (Câmara Municipal de Monção/Junta de Freguesia de Cambeses). 1998 – Seminário de Nossa Senhora da Conceição. Aspectos Histórico-Pedagógicos. Braga. (Tese de mestrado). • Coordenação de 6 obras coletivas • 24 Textos inseridos em obras coletivas • Mais de 5 dezenas de textos publicados em revistas e jornais • 4 dezenas de textos de comunicações em congressos, colóquios e apresentação de livros A publicarbrevemente: • OPalácio da Brejoeira – Dois séculos de história. • Os Governadores do Maranhão, Piauí e Grão Pará do séc. XVIII, oriundos da Casa de Sende (Monção). Obras premiadas: • Monsenhor Airosa – Pedagogo-Empresário. História do Colégio de Regeneração de Braga (1869-1931). (Tese de doutoramento) • São Tiago de Pias. História e Cultura • São Salvador de Cambeses. Memória e identidade de um povo Outros elementos: • Historiador convidado da Visita Guida ao Palácio da Brejoeira – Programa da RTP2, de Paula Moura Pinheiro. (19 de junho 2017) • Investigador/Colaborador do Centro de História da Universidade de Lisboa. • Membro do Centro de investigação/pesquisa do Museu da Emigração das Comunidades (Fafe) (2012-2016) Capitão general João Pereira Caldas. De Monção para o Grão Pará – Um “migrante” ao serviço do Rei Breve esboço biográfico de João Pereira Caldas Uma vida ao serviço da Pátria e do Rei Contributos da sua ação política para o desenvolvimento económico, social e científico do Brasil colonial do século XVIII. Correspondência familiar Um arquivo de família que é urgente salvaguardar Resumo da comunicação João Pereira Caldas, filho de Gonçalo Pereira Lobato e Sousa (foi governador do Maranhão), e de Dona Joana Maria Pereira de Castro, de Viana, nasceu em Sende, em 1736. Em 1753, entrou ao serviço do governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado, em Belém do Pará. Com ele visitou grande parte do território da Amazónia brasileira. Em 1758, apenas com 22 anos, foi nomeado governador da Capitania do Piauí, onde desenvolveu um notável trabalho: criação dos pilares de um novo estado, através da fundação de vilas e aldeias; fixação dos boieiros; implantação das estruturas administrativas, sanitárias, sociais e económicas para o funcionamento da administração. Em 1770 foi nomeado governador do extenso Estado do Grão Pará. Aí lançou as defesas da cidade de Belém e traçou os rumos urbanísticos e de desenvolvimento social e económico, a par de uma ação cultural assinalável. Trabalhou afincadamente na construção da nova cidade de Mazagão para instalação das gentes provenientes da Fortaleza Marroquina. Incrementou a construção naval. Acompanhou e orientou o cientista Alexandre Rodrigues Ferreira, na sua Viagem Filosófica, no reconhecimento dos rios, da flora e da fauna e dos povos indígenas. Promoveu a exploração agrícola e pecuária da região amazonense. Em 1778 deixou o governo do Estado para chefiar os trabalhos da demarcação de fronteiras com as colónias espanholas, exercendo o duplo papel de governador da Capitania do Rio Negro e Ministro Plenipotenciário às Reais Demarcações de Limites. Foi alvo de homenagens que ficaram registadas por homens de Letras da emergente e reconhecida Literatura Amazonense. O regresso ao Reino, abatido e doente, em 1889, foi assinalado com um discurso – Oração Panegírica – por onde perpassa toda a sua ação desenvolvida em terras de Santa Cruz. Em Lisboa desempenhou, ainda, o alto cargo de Conselheiro de Capa e Espada, no importante órgão de administração denominado Conselho Ultramarino. No arquivo de família da Casa de Sende há um conjunto significativo de manuscritos – cartas, procurações, poemas, discurso panegírico, registos da Viagem Filosófica, mapas, maquetes de canoas, etc. – que lhe pertenceram, para além de outra documentação referente ao Maranhão, nomeadamente sobre a fundação de vilas e aldeias, que pertenceram a seu pai, Gonçalo Pereira Lobato e Sousa, que urge salvaguardar. Ernesto Português Maria Manuela Aguiar foi Secretária de Estado do Trabalho, depois, da Emigração e Comunidades Portuguesas, Deputada eleita pelos círculos da emigração, Vice-presidente da AR, Presidente da Delegação Portuguesa à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Presidente da Comissão das Migrações, Refugiados e Demografia dessa Assembleia. É licenciada em Direito pela Universidade de Coimbra e tem pós-graduação em Direito pela Faculdade de Direito e Ciências Económicas do Instituto Católico de Paris. Foi docente na Universidade Católica de Lisboa, na Faculdade de Direito de Coimbra e na Universidade Aberta (mestrado de Relações Interculturais). É fundadora e atual Presidente da Assembleia Geral da Associação "Mulher Migrante" e coordena o blogue da associação http://mulhermigranteemcongresso.blogspot.pt/. Tem várias publicações sobre emigração, sendo uma delas sobre a Convenção de Igualdade de Direitos entre Portugueses e Brasileiros. .Cidadania Luso- Brasileira: Tratado de Igualdade Portugal- Brasil a "questão da reciprocidade" - homenagem a Ruth Escobar Sinopse A Comunidade luso-brasileira foi formalmente reconhecida pelo "Tratado de Amizade e Consulta", assinado no Rio de Janeiro, em 1953. O que poderemos chamar "estatuto de cidadania luso-brasileira" consagrado no "Tratado" abrangia o direito de livre circulação, de residência e de estabelecimento dos nacionais de um país no outro e a concessão dos direitos da nacionalidade, que não fossem incompatíveis com as respetivas Constituições. Só terá sido possível ir tão longe na negociação rápida de um acordo bilateral inédito, pioneiro em termos de Direito comparado, porque ele correspondia à realidade de uma comunidade preexistente, alicerçada na língua e nas afinidades culturais, no incessante movimento migratório, que decisivamente ajudou a construção da Nação brasileira, ou seja numa história partilhada no trabalho e no convívio de gente comum, muito para além do plano estatal de colonização. Em 1969, no Brasil, uma emenda Constitucional veio reconhecer explicitamente aos portugueses direitos civis e políticos a nível local, estadual e federal, incluindo o sufrágio nas eleições legislativas. Portugal aceitou dar o mesmo tratamento aos brasileiros e, em 1971, foi celebrada, por ambas as partes, a "Convenção de Igualdade de Direitos e Deveres entre Portugueses e Brasileiros", consagrando, nomeadamente, o acesso à magistratura judicial e o direito de voto num órgão de soberania, o parlamento. Se compararmos este estatuto com o da "cidadania europeia" constatamos que, já na década de 70, no que respeita a direitos políticos, se ia muito mais longe do que vai atualmente a União Europeia, cujos cidadãos continuam a ser excluídos na eleição de órgãos de soberania do país estrangeiro em que residem, no espaço da União. Em 1988, o Brasil tomou, de novo, a dianteira e, na revisão constitucional desse ano, equiparou plenamente os direitos dos portugueses aos dos brasileiros (naturalizados), sob condição de reciprocidade - com o direito de voto em todas as eleições, a possibilidade de serem deputados, membros do governo federal ou juízes dos tribunais superiores. Portugal precisou de treze longos anos e três processos de revisão constitucional, para dar plena reciprocidade de direitos políticos aos brasileiros (em outubro de 2001). Porém, é de notar que o estatuto de direitos civis e o estatuto de direitos políticos previstos nas Constituições dos dois países, ao contrário do disposto no Tratado de 1953, só podem ser exercidos pelos nacionais de um país com residência permanente no outro, ou seja, pelos imigrantes. Entre nós, não há ainda brasileiros membros de órgãos de soberania, mas no Brasil são já muito significativos os exemplos de vivência concreta da igualdade de direitos, um dos quais, destacaremos, homenageando Ruth Escobar, a primeira mulher eleita deputada à Assembleia do Estado de São Paulo e a primeira representante do Brasil nas Nações Unidas, para o acompanhamento da Convenção contra todas as formas de discriminação feminina. Importa, todavia, sobretudo, tomar consciência de que há uma Comunidade luso- brasileira muito mais vasta do que a dos diretos beneficiários daqueles estatutos jurídicos: a Comunidade que se baseia em laços de afeto, de sangue e de língua, em memórias de família - comunidade a que todos podemos pertencer pelo coração. É essa comunidade, que evocamos em Monção em abril de 2018. Moderadora: Graça Guedes, Professora Catedrática Aposentada da Universidade do Porto. Sessão de Encerramento Senhor Secretário das Comunidades Portuguesas, Mestre José Luís Carneiro

quinta-feira, 29 de março de 2018

MONTREAL EM FESTA

COMUNIDADE PORTUGUESA MONTREAL MARÇO 2018 Síntese de uma viagem contada na primeira pessoa A minha anfitriã foi Adelaide Vilela, que conheci numa primeira visita a Montreal em 1980. "Como o tempo passa". Há títulos de livros que são verdades eternas. Difícil de acreditar subjetivamente, mas 1980 foi há 38 anos, e essa minha "viagem de achamento", foi, se não me engano, precisamente em março. Recordo, como se tivesse sido ontem, a receção do célebre Maire Drapeau, a conversa sobre os Jogos olímpicos e sobre De Gaulle, na chão da varanda, onde gritara e seu "slogan" mobilizador. "Vive le Québec libre" - (hélas, nenhum referendo cumpriu, ainda, o sonho gaullista e o voto dos portugueses sempre foi no sentido de manter o Canadá maior e mais multicultural). Lembro a visita às escolas de português, à igreja de Santa Cruz e aos clubes... Todo esse mundo permanece. no horizonte há tanto de esperanças como de receios. Menos alunos nas escolas, alguns clubes a fecharem as portas. incerteza nas configurações que o futuro reserva ao movimento associativo tradicional, que evoluiu com gente da minha geração... Foi ainda esse o universo que revisitei, graças aos convites de Adelaide Vilela e de Norberto de Aguiar. Adelaide Vilela é uma daquelas raras mulheres, que conseguiu irromper, ostensiva e imparavelmente, numa "república de homens", como são, ou eram até há pouco, as comunidades da emigração. Uma mulher guerreira de boas causas, cheia de ímpeto e generosidade. Incrível a coragem e a energia que mantém aos 63 anos, apesar de um doença muscular, que já a obrigou a dezenas de cirurgias, a última das quais muito recente! Fez o lançamento de dois livros, num jantar de gala, com duas centenas de convivas, em que voluntários de todas as idades, leram poesia e prosa da Autora. O Cônsul- geral e eu integrámos a longa lista. Foi diferente, interessante, caloroso, nas instalações de um dos mais 200 - ou 300 - salões do Espírito Santo, que existem nas duas costas da América do Norte. E, no domingo, o jornal Luso presse, que é um dos melhores do mundo da emigração, organizou pela 18ª vez consecutiva o seu "dia internacional da Mulher", com uma homenagem a ... Maria Barroso! Depois, ficámos à conversa num excelente e tranquilo restaurante até às tantas. Já não ia a Montreal há 10 anos!!! (só Toronto e NY têm continuado na minha rota anual, mas, agora, creio que os convites do Québec não vão parar). E eu aceito sempre que posso - prefiro pagar voos para estes reencontros de amigos do que para passar férias em praias paradisíacas, Para férias, basta-me o mar de Espinho

OBSERVATÓRIO DAS MIGRAÇÕES - REMESSAS 2017

28/mar/2018 Valor das remessas cresceu em 2017 Segundo dados do Banco de Portugal, em 2017 entraram no país 3,554.75 milhões de euros em remessas de emigrantes, valor mais elevado do que o observado em 2016 (mais 6.3%). Confirma-se, assim, a tendência mais geral de crescimento registada desde 2010. + O valor de remessas atingido em 2017 é, em termos nominais, o mais alto da era do euro. Na série em análise, só em 2001, ainda antes da introdução do euro, foi aquele valor superado (3,736.82 milhões de euros). Ao longo do século, de 2001 a 2017, a variação no valor das remessas dos emigrantes recebidas em Portugal descreve uma curva em U, descendo até 2009, de modo mais pronunciado em 2002 e 2003, e predominando, desde 2010, uma tendência para a subida, mais acentuada em 2012 e 2013. Todas estas variações devem ser analisadas com cautela tendo em conta que são medidas em valores nominais e que podem ser, em alguns casos, explicadas mais por variações cambiais do que por mudanças na emigração.

sexta-feira, 16 de março de 2018

MANUELA AGUIAR em MONTREAL

De 23 a 26 de março, Manuela Aguiar estará em Montreal, a convite do Jornal Luso Presse e da jornalista Adelaide Vilela, para participar na celebração do Dia Internacional d Mulher, que aquele jornal promove desde a sua fundação, e no lançamento dos mais recentes livros de Adelaide vilela

Entrevista de Manuela Aguiar ao jornal "TERRA MINHOTA"

A ASSOCIAÇÃO MULHERES MIGRANTES VEM PROPOR A COMEMORAÇÃO DO DIA DA COMUNIDADE LUSO BRASILEIRA EM MONÇÃO. PORQUÊ? Monção é uma escolha perfeita, porque foi de terras do Minho que partiu a maioria dos emigrantes e dos colonizadores do Brasil. Foi a elas que regressaram os chamados "brasileiros de torna viagem", os portugueses mais ou menos enriquecidos, que se converteram em grandes mecenas e em contadores de relatos fascinantes de um Mundo Novo, o que levava a que cada vez mais conterrâneos os imitassem, atravessando o mar, em busca de fortuna. Nem todos a alcançaram, mas quase todos, de algum modo, trouxeram bem-estar às suas famílias, progresso às suas regiões e ao país, ao mesmo tempo que criavam um outro país, imenso. Muito deve o Brasil a um número incontável de monçanenses e, através deles, muito deve Monção ao Brasil. É disso que vamos falar no Colóquio, na data simbólica da sua descoberta pela expedição de Pedro Álvares Cabral. Desde 1967, por uma iniciativa legislativa do senador brasileiro Vasconcelos Torres, o 22 de abril está oficializada como "Dia da Comunidade Luso Brasileira". Nos termos da lei, cabe aos Governos organizar as comemorações, mas, na prática, tem sido a "sociedade civil" a fazê-lo, de norte a sul do Brasil - sociedade civil ou, mais precisamente, o poderoso movimento associativo da emigração portuguesa, muitas vezes em parceria com municípios, como o de São Paulo e de Santos ou com as autoridades de cada Estado. Este ano, por exemplo, o Governador do Rio Grande do Sul instituiu não só um dia mas uma semana de festejos, em honra da "Comunidade". Em Portugal, a data tem andado quase completamente esquecida. Julgo que Monção será, em 2018, a nossa única Câmara Municipal a celebrar condignamente, a efeméride. Acho importante destacar este facto e tudo faremos, a Drª Arcelina Santiago, ilustre e ativa monçanense, e eu para que tenha o merecido eco junto na nossa Diáspora. É CURIOSO QUE ESTE PROJETO SEJA PRIORITÁRIO PARA UMA ASSOCIAÇÃO DE MULHERES.... Para nós, faz sentido um grande empenhamento no projeto, porque somos uma associação, formada por mulheres e homens que se preocupam, essencialmente, com questões de emigração, de cidadania e de igualdade - igualdade de género, não discriminação de minorias étnicas e de estrangeiros - , nos vários aspetos em que as consideramos, tais como a defesa do interculturalismo e da aproximação dos povos através dos mais fortes laços que unem os Estados, e que são os laços humanos, aprofundados pela partilha de vidas e experiências, pela convivência e amizade. Vemos como exemplo admirável desta união pela convivialidade a história do Brasil, uma história que nasce das migrações portuguesas, e com elas se continua, antes e sobretudo depois da independência do país. Ao longo de séculos, para lá que se dirigiu um êxodo sem fim de portugueses, e, crescentemente, desde fins do de oitocentos, de mulheres portuguesas. Com elas e com eles, se construiu a nação onde mais se expandiu a lusofonia, num espaço cem vezes maior do que o nosso território! É uma aventura fantástica do nosso passado, que devia ser aprendida, aprofundadamente, no programa das escolas, na disciplina da história de Portugal. Neste colóquio chamaremos a atenção para isso e para o futuro que poderemos dar a essa aventura, bem viva na comunidade luso-brasileira, na língua comum, nas afinidades culturais, no genuíno afeto dos dois povos. Um afeto que se revela tanto mais quanto melhor se conhecem!. No colóquio de 20 de abril, convidamos à reflexão sobre as formas de potenciar o conhecimento mútuo, num tempo em que há, felizmente, recomeço de partidas para o Brasil, a par do fenómeno inédito de uma imigração significativa de brasileiros entre nós. O título do colóquio expressa exatamente a vontade que nos anima de explorar e de divulgar as variadas facetas do mundo luso-brasileiro, através da partilha de saberes e de memórias, dos resultados de investigações científicas, de pesquisas jornalísticas, de vivências pessoais, de recordações familiares. Penso, por exemplo, em cartas, objetos, fotografias, relatos orais... É uma tarefa inadiável e infindável! Todas as terras deveriam seguir o exemplo de Monção, e iniciar a recolha sistemática de material documental e iconográfico relativo à sua Diáspora. Em alguns casos, esse esforço pode constituir um primeiro passo para a organização de um museu da emigração local e, em qualquer caso, será uma valiosa contribuição para o museu de âmbito nacional, de que tanto se tem falado e que há-de arrancar um dia... Muito me regozijo por constatar a recetividade com que a ideia está a ser trabalhada, aqui, pela Autarquia, pelas instituições, pelo jornal Terra Minhota, e também pelo Governo, pelo Secretário de Estado Mestre José Luís Carneiro, com cuja presença contamos nesse dia. É um esplêndido projeto de recuperação e salvaguarda de memórias, assim aberto a todos, a académicos, a políticos e diplomatas, a técnicos de emigração, a professores e alunos, a antigos emigrantes, a quaisquer cidadãos interessados numa jornada que será uma espécie de nova "viagem de descoberta" do Brasil. A PENSAR MAIS NA DESCOBERTA DE CABRAL OU NA ATUALIDADE? Sim, como disse, a escolha da data tem o seu valor simbólico, contudo o colóquio quer ir além da evocação dos feitos e acontecimentos de há quinhentos anos. Procura resultados práticos no relacionamento não só entre os Estados, mas entre gente concreta, procura mobilizar para a ação.. Acreditamos na possibilidade de dinamizar a fraternidade na comunidade transnacional de que somos parte, de despertar o sentimento de pertença, também deste lado do Atlântico. O ambiciosos objetivo é menos difícil se começarmos pelas terras de "tradição brasileira", como são as do Minho!. Para isso, contará muito o diálogo entre as gerações, a procura das raízes pelos mais novos. Não são só os brasileiros que precisam de saber mais sobre o seu passado português. Nós, de igual modo, temos de ir desvendando o nosso passado brasileiro - os nossos antepassados, os parentes que por lá andaram ou por lá ficaram, alguns dos quais já só vivem na recordação dos mais velhos e são um precioso legado para os gerações atuais ou vindouras. O projeto "ateilers de memória", que o "Terra Minhota" tão bem noticiou, é um dos meios de aprofundar a tomada de consciência da existência desta Comunidade, que, enquanto realidade sociológica se deve a um vai-vem migratório multissecular, embora seja recente (de meados do século XX), enquanto estrutura jurídica, que veio instituir a "cidadania luso-brasileira". O estatuto de cidadania luso-brasileira não foi uma proposta do governo português, foi uma reivindicação natural dos nossos emigrantes (nessa época, mais de um milhão!), aceite, espontaneamente, sem controvérsias, pelos políticos brasileiros. Na sua primeira formulação, no "Tratado de Amizade e Consulta" de 1953, assinado no Rio de Janeiro, o estatuto incluía uma ampla liberdade de circulação, de residência, de estabelecimento para os nacionais de um país no outro e a concessão dos direitos da nacionalidade, que não fossem incompatíveis com as respetivas Constituições. Em 1969, uma emenda à Constituição brasileira veio reconhecer explicitamente aos portugueses direitos civis e políticos a nível local, estadual e federal, incluindo o sufrágio nas eleições legislativas. Portugal soube, então, dar a reciprocidade de tratamento aos brasileiros e, em 1971, foi celebrado por ambas as partes a "Convenção de Igualdade de Direitos e Deveres entre Portugueses e Brasileiros", consagrando, nomeadamente, o acesso à magistratura judicial e o direito de voto num órgão de soberania, o parlamento. Se compararmos este estatuto de direitos com o da "cidadania europeia" constatamos que já na década de 70 conseguimos ir muito mais longe do que ainda agora vai a União Europeia (onde a participação política continua limitada ao nível autárquico...). Em 1988, o Brasil tomou de novo a dianteira e, na revisão constitucional desse ano, alargou o estatuto de direitos políticos, equiparando plenamente os portugueses aos brasileiros naturalizados, sob condição de reciprocidade - isto é, com direito de voto em todas as eleições, a possibilidade de serem deputados, membros do governo federal ou juízes dos tribunais superiores. Portugal levou treze longos anos e três processos de revisão constitucional, até dar reciprocidade de direitos políticos aos brasileiros, o que só veio a acontecer. em outubro de 2001. Não há, no nosso tempo, no mundo inteiro, comunidade que consagre estatuto semelhante - o que é muito revelador da fraternidade real, que sobra entre brasileiros e portugueses e falta, ao menos em grau e intensidade, entre europeus, na União Europeia. A EMIGRAÇÃO FEMININA VAI ESTAR EM FOCO? Obviamente, sim!. Temos a preocupação constante de a retirar do esquecimento em que ficavam, desde sempre e até à atualidade, as mulheres migrantes, mas na perspetiva de um movimento global das migrações, reunindo mulheres e homens que se preocupam com os problemas da persistente desigualdade entre os sexos neste domínio, onde as discriminações assumem, com frequência, caraterísticas especiais, tanto na integração na sociedade estrangeira, como no meio português. Este tende a ser muito conservador, pondo, em regra, mais obstáculos à plena participação das mulheres do que a sociedade de acolhimento, onde as mulheres se integram mais depressa e melhor, levando com elas a família inteira para novos patamares de prosperidade. Foi uma Mulher do norte, a Professora Engrácia Leandro, da Universidade do Minho, a primeira a mostrar, numa brilhante tese de doutoramento, esta surpreendente realidade. O seu estudo centrou-se apenas na região de Paris. mas a situação no resto da França é semelhante, e até também o é em outros países, onde as emigrantes acederam à autonomia económica pelo trabalho remunerado e pela aprendizagem da língua e dos costumes, normalmente mais depressa do que os maridos, pelo facto de trabalharem no setor dos serviços, em contacto diário com os naturais desses países. No Brasil não se põe o problema da língua e há especificidades, também, na forma de inserção. Na emigração tradicional, que ascendeu às classes média ou média/ alta, as mulheres são, em regra, "donas de casa" e praticamente invisíveis na direção das grandes associações portuguesas. Tudo como dantes!.. . Não assim entre as mais jovens. que se afirmam nas mais prestigiadas profissões e carreiras, e participam em atividades cívicas ou políticas..Não sendo embora tema central do colóquio, falaremos de portuguesas que foram, no Brasil, exceções à regra, no século passado, caso da grande escritora feminista Maria Archer e de Ruth Escobar, uma portuguesa do Porto que, para além de ter sido uma grande atriz e empresário de teatro vanguardista, foi a primeira mulher eleita na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo - e ao abrigo da Convenção da Igualdade, pois nunca se naturalizou brasileira. DIZ-SE QUE, EM QUALQUER EVENTO, O SUCESSO SE MEDE NO DIA SEGUINTE... O QUE ESPERA DESTE COLÓQUIO, COMO RESULTADO CONCRETO? Espero, sobretudo, que os participantes do colóquio vivam no futuro este espírito de descoberta contínua do Outro, sendo o Outro, neste caso, a grande potência cultural, linguística e económica, que é o Brasil. Espero que todos se sintam mais orgulhosos de Portugal e mais brasileiros, como eu me sinto desde uma primeira visita ao Rio de Janeiro, para as comemorações do 22 de abril de 1980. Em síntese, a mensagem é esta: somos todos luso.brasileiros!